Anglicanismo na Bahia
Origem
O surgimento da Igreja Anglicana no Brasil tem origem no século 19. No ano de 1808, uma comitiva de ingleses acompanhou a família real portuguesa na vinda ao Brasil. A viagem dos monarcas foi motivada pelo medo do exército de Napoleão Bonaparte invadir Portugal. Parte desses cidadãos britânicos fixou residência em Salvador, Bahia. Na época, eles foram beneficiados com o direito de realizar celebrações anglicanas no interior das próprias casas. Isso só foi possível graças ao Tratado de Amizade e Paz, assinado por Portugal e Grã-Bretanha, em 1810.
Aproveitando a liberdade religiosa, a Igreja Anglicana na Bahia - também chamada de Igreja de São George - construiu o primeiro templo no bairro Vitória, em 1815. Ainda na primeira metade do século, houve a inauguração do Cemitério Britânico, localizado na Avenida Sete de Setembro, bairro Barra, vizinho da Vitória. Nesse cemitério foi erguida uma capela exclusiva para executar os rituais de sepultamento. No ano da proclamação da República, o grupo estava sendo pastoreado pelo Reverendo Synge. Ele foi sucedido pelo Rev. e Capelão Edward Jorge Parker no ano de 1836.
O Rev. Parker fez um ato altruísta ao comprar um terreno em nome da Sociedade Igreja de São Jorge e Cemitério Britânico. Seu objetivo foi alcançado quando, em 1853, houve a inauguração da Capela Anglicana, na Praça Dois de Julho, conhecida popularmente como Campo Grande. Sete anos depois, o Rev. Parker deixa a Capelania. Em 1907, a Capelania Consular decidiu se afastar da comunidade, passando a administração do grupo para a Inglaterra, através de um Conselho escolhido pela mesma. Até esse período, a maioria dos participantes da missa era inglês, poucos brasileiros frequentavam.
Somente no início dos anos 70 é que a Capelania começou a missão evangelizadora com os brasileiros, sob pastorado dos Missionários Rev. Roger Blankley e Rev. Stuart Brougthon. Por causa dessa inclusão, o grupo britânico passa a usar o nome Igreja de Cristo e a missão com os brasileiros adota o nome Missão de Cristo Redentor. Em 1975, uma construtora propôs a compra do local e ofereceu um templo em outro bairro. A Capela foi demolida naquele ano, para no seguinte acontecer a transferência para a Rua Ceará, bairro Pituba. A inauguração aconteceu em 30 de outubro de 1976. No mesmo ano, dois apartamentos foram construídos na Capela da Barra, formando um conjunto de alojamentos denominado Casa Anglicana. Edmund Knox Sherrill era o Rev. responsável pela congregação na Pituba, desta vez já com Conselho próprio e subordinada a Diocese Setentrional da Igreja Episcopal do Brasil. No ano seguinte, o Rev. Sherrill instituiu o Rev. Lauro Borba da Silva, como o primeiro clérigo brasileiro a assumir o trabalho na Bahia, se encarregando da missão Cristo Redentor.
Brasileiros e ingleses
Já o Rev. Broughton continuava pastoreando os membros ingleses. Por inspiração no vitral datado de 1860, trazido da Capela do Campo Grande, o corpo troca o nome para Paróquia Anglicana do Bom Pastor. Houve mudança também no alojamento Casa Anglicana que passa a se chamar Cristo Redentor. Ao longo da década de 70, os Rev. Lauro Borba da Silva, Patrick Coghlan, Antonio Carlos Pereira dos Santos, Stephen James Taylor, Josafá Batista dos Santos e John Shepherd coordenaram a paróquia.
Em 4 de março de 2010, a Bom Pastor, a Sociedade Igreja de São Jorge e o Cemitério Britânico optam por encerrarem a mútua colaboração. Com o objetivo de dar prosseguimento aos trabalhos, a paróquia se compromete em acolher os membros britânicos residentes no Estado. No mesmo ano, a Bom Pastor transfere sua sede para um novo templo - no bairro Bonfim - sob pastorado dos Rev. Bruno Luiz Teles de Almeida, Stephen James Taylor (Capelão) e Josafá Batista dos Santos (Emérito). Em 9/6/17, o Bispo Diocesano João Câncio Peixoto Filho veio a Salvador para reconsagrar a Capela do Cemitério Britânico, simbolizando a reaproximação da Bom Pastor com a Associação da Igreja de São Jorge e o Cemitério dos Ingleses.




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